Archive for the ‘- História dos Bambas’ Category

Uma singela homenagem feita pelo meu irmão, no dia em que nos despedimos da pessoa mais amada e que mais nos amou nessa vida.
O meu coração
no meu peito
se agita
e conheço essa batida
de samba
de roda
já ouvi em algum lugar
alguma coisa parecida
com esse palpito
de púlpito
e já senti em algum lugar
algum cheiro parecido
com essas palmas
de jasmim
e também já senti esse frio
gelado
metálico
e hoje me lembro
como me lembro todos os dias
(mas hoje por ser hoje me fiz escrever)
que aquilo que se foi
se volta
em forma de sobra
(ou de sombra)
e me recordo desse fardo:
que sou eu
cujo peito sincopado
(um carnaval fúnebre)
a manifestação ainda viva
filho direto
e incompleto
da pessoa mais doce de todo o universo
MARCELO PIERRI CHIARIELLO
07/12
“Tire seu sorriso do caminho, que eu quero passar com a minha dor…”
Ele não tinha pinta nenhuma de artista e pouco se importava com a opinião alheia. Andava mesmo sem camisa e bebia cerveja no gargalo na frente das câmeras. Não se importava em desafinar com suas cordas de aço muito e menos ainda esboçava ganância pela fama . Mas tinha apenas uma grande preocupação: jamais errar na viola. Como ele mesmo dizia: “O que importa em uma música é a melodia e não a letra.” Bom, realmente muito curiosa a declaração, já que o cara gravou maravilhosas obras-primas até hoje eternizadas e regravadas por diversos artistas. Nelson virou lenda e fez parte da construção da músíca popular brasileira.
O mini documentário, alia lindas canções tiradas em seu inseparável violão, histórias, um retrato da vizinhança no morro da mangueira e claro, algumas biritas.
Esse foi Nelson Antônio da Silva, ou se prefeirirem Nelson Cavaquinho.
Versão recuperada do documentário de 1969.
Tanta pobreza e tanta beleza!
Pra quem não viu, vale a pena ver essa figura em entrevista para o Fantástico.
Humildade, respeito e fé!
Salve, Salve…
Depois de muita espera, idas e vindas do nosso toy, ele finalmente está pronto para nós, adimiradores e fãs do mestre Angenor de Oliveira, o menestrél Cartola.
Das 50 unidades produzidas, temos apenas 21 disponíveis. Quem quiser, é só avisar… Emails para contato@raizdosamba.com.br .



Para mim a melhor uma das maiores cantoras brasileira de todos os tempos: a gaúcha Elis Regina, a nossa “Pimentinha”.
O vídeo abaixo, produzido pela TV Globo em um circo no Rio de Janeiro, foi apresentado no programa dominical daquela emissora de TV, o Fantástico, em 1979.
A bela composição “O Bêbado e a equilibrista” foi criada pela dupla João Bosco e Aldir Branc e cita personagens da história recente do Brasil como Betinho, o irmão de Henfil, e Wladimir Herzog, jornalista barbaramente torturado e assassinads nas dependências do Doi-Codi em São Paulo, o marido de Clarice.
A cada dia que passa fico mais impressionado com a elegância do sambistas do passado.
Graças ao @portacurtas , tive acesso a este documentário que relembrou brevemente a vida de um de nossos pioneiros do samba - mestre Pixinguinha. O documentário conta também com Donga e João da Baiana, companheiros fiéis do mestre. O suingue da música brasileira já vem de outros carnavais.
Viva Pixinguinha! Único!

Era o aniversário do Vinicius de Moraes em 1979, na Carreta, uma churrascaria de intelectuais da época em Ipanema. O fotógrafo Evandro Teixeira estava lá para fazer uma matéria para o Caderno B do Jornal do Brasil. De repente Vinicius chamou o Chico Buarque e o Tom Jobim e disse: “Então vamos fazer uma foto diferente!”, eles foram para os fundos da churrascaria onde haviam umas mesas e deitaram-se encima delas. “Eu, na correria, naquele nervosismo, subi em um tamborete, fiz um clique. Aí, caí do tamborete, e a máquina enguiçou com o tombo no chão, e aí prendeu o obturador. E não bati mais nada. E eu só fiz esse fotograma” contou Evandro. Até hoje é uma das fotos mais publicada em jornais, livros e revistas do Brasil
“Viva nossos escassos poetas…”
Este breve documentário, mostra uma visita de João Nogueira à Portela. João visita amigos, relembra acontecimentos e mostra a sua simplicidade que carregou consigo ao longo de sua vida.
Esse sambista suburbano foi o criador de uma importante instituição para a música brasileira, denominado Clube do Samba, que basicamente dava suporte aos sambistas com problemas sociais que não tinham acesso às gravadoras.
Parte 1
Parte 2
Acho que realmente nasci na época e lugar errado. Além de todos meus sambistas preferidos serem do Rio de Janeiro, a maioria deles já não está mais entre nós. É o caso de Antônio Candeia Filho, ou simplesmente Candeia.
Filho de sambista, cresceu cantando e versando com seus amigos em Oswaldo Cruz, bairro onde nasceu e foi criado. Com o tempo, aprendeu violão e cavaquinho, começou a jogar capoeira e a freqüentar terreiros de candomblé. Estava se forjando ali o líder que mais tarde seria um dos maiores defensores da cultura afro-brasileira. Arte negra era com ele mesmo.
Compôs em 1953 seu primeiro enredo, Seis Datas Magnas, com Altair Prego: foi quando a Portela realizou a façanha inédita de obter nota máxima em todos os quesitos do desfile (total 400 pontos).
Em 1960, Candeia decide entrar para a polícia. Tinha fama de durão e suas atitudes começaram a causar ressentimentos entre seus antigos companheiros. Provavelmente, não imaginava que começava a se abrir caminho para a tragédia que mudaria sua vida. Dizem que, ao esbofetear uma prostituta, ela rogou-lhe uma praga; na noite seguinte, ao sair atirando do carro num acidente de trânsito, levou um tiro na espinha que paralisou para sempre suas pernas.
Sua vida e sua obra se transformaram completamente. Em seus sambas, podemos ouvir seu doloroso e sereno diálogo com a deficiência e com a morte pressentida: Pintura sem Arte, Peso dos Anos, Anjo Moreno e Eterna Paz são só alguns exemplos. Recolheu-se em sua casa; não recebia praticamente ninguém. Foi um custo para os amigos como Martinho da Vila e Bibi Ferreira trazê-lo de volta. De qualquer maneira, meu amor, eu canto, diria ele depois num dos versos que marcaram seu reencontro com a vida.
A vida voltou a fazer sentido e o samba voltou a fluir com alegria. Candeia comandava tudo de seu trono de rei, a cadeira que nunca mais abandonaria.
No curto reinado que lhe restava, dono de uma personalidade rica e forte, Candeia foi líder carismático, afinado com as amarguras e aspirações de seu povo. Fiel à sua vocação de sambista, cantou sua luta em músicas como Dia de Graça e Minha Gente do Morro. Coerente com seus ideais, em dezembro de 75 fundou a Escola de Samba Quilombo, que deveria carregar a bandeira do samba autêntico. O documento que delineava os objetivos de sua nova escola dizia: Escola de Samba é povo na sua manifestação mais autêntica! Quando o samba se submete a influências externas, a escola de samba deixa de representar a cultura de nosso povo.
O documentário abaixo, mostra um breve resumo em 3 partes, dos sambas no terreiros, rodas de samba e reuniões de Candeia com amigos discutindo o partido alto. Na abertura, temos o impressionante samba Testamento de Partideiro, onde dizia: Quem rezar por mim que o faça sambando. Uma frase que resume em palavras a força do samba para Candeia.
Parte1:
Parte2:
Parte3:
Post dedicado ao meu amigo e parceiro @burnobernardo !
AXÉ…
Certa vez, em um samba de roda em Caraguatatuba (litoral norte de São Paulo) conversando com o partideiro Chapinha do Samba da Vela, começamos a resenhar sobre Da Vila - Eu até o momento, não conhecia muito sobre sua personalidade, e sim apenas sobre suas belas canções - que por sinal dispensam comentários.
Chapinha que já teve a felicidade de participar de inúmeras rodas com Luiz Carlos, rasgou elogios sobre o compositor e acreditem, o comparou até com Cartola!
A partir desse dia, resolvi me aprofundar mais sobre as raízes de Luiz Carlos e vi que meu amigo Chapinha tinha toda razão: A sofisticação e elegância do seu estilo músical era muito refinado.
O simples nome artístico “da Vila” foi adotado em 1977 após sua entrada para a ala de compositores da escola de Samba Unidos de Vila Isabel, já que morava na Vila da Penha, subúrbio carioca. Era sempre visto nos pagodes do bloco Cacique de Ramos, lugar que tocava e apresentava seus Sambas desde 1978. Sua primeira música gravada foi “Graças ao Mundo”, interpretada pelo conjunto Nosso Samba, ainda na década de 70.
Gravou e aprendeu muito com Antônio Candeia e, que de tamanha admiração rendeu um CD em 1998 “A Luz do Vencedor” dedicado exclusivamente à obra do compositor da Portela.
Da Vila foi um sambista que em suas músicas, encarnou o verdadeiro espírito das vilas e bairros do subúrbio carioca: músicas alegres, espirituosas, sem esquecer o lado racional e até mesmo crítico social e político.
O poeta nos deixou no dia 21 de outubro de 2008, após 59 dias internado no hospital do Andaraí.
Morre o Poeta, mas não a poesia…
“se foi e ao mundo inteiro disse ADEUS! É triste mas foi mais um bamba, que o mundo do samba perdeu…”
Cabelos prateados. Uma voz de aço, com rouquidão curtida em madrugadas boêmias pelo Rio de Janeiro. Temas surpreendentes. Nelson Cavaquinho foi um trovador moderno, espalhando sua música e poesia pela noite carioca. Suas músicas são de uma simplicidade impressionante, como somente os grandes gênios conseguem fazer, não há um verso ou nota a mais que o necessário.
Seu envolvimento com a música inicia-se com na família. Seu pai, Brás Antônio da Silva, era músico da banda da Polícia Militar e seu tio Elvino tocava violino. Depois, morando na Gávea, passou a frequentar as rodas de choro. Foi nessa época que surge o apelido que o acompanharia por toda a vida.
Casou-se por volta dos seus 20 anos com Alice Ferreira Neves, com quem teve quatro filhos e na mesma época consegue, graças a seu pai, um trabalho na polícia fazendo rondas noturnas a cavalo. E foi assim, durante as rondas, que conheceu e passou a frequentar o morro da Mangueira, onde conheceu sambistas como Cartola e Carlos Cachaça.
Totalmente desapegado de bens materiais, vendeu grande parte de sua produção, ou pagou dívidas dando parcerias a desconhecidos. A melhor fase de seu trabalho surge quando se une em parceria com Guilherme de Brito, ao qual foi apresentado em um botequim da praça Tiradentes. Jamais conseguiu (nem pretendeu) ganhar mais que o necessário para sobre-viver. Tornou-se mais famoso e conhecido depois dos sessenta anos e morreu onde morou e viveu, no Rio de Janeiro, em 18 de fevereiro de 1986.








João Rubinato era um famoso contador de histórias do bairro do Bixiga. Compenetrava seus ouvintes da rádio e seus amigos numa atmosfera fantástica e envolvente, hipnotizados por uma voz rouca e sotaque italiano. Dentre tantas histórias e personagens, nasceu Adoniran Barbosa, o sambista.